Friday, December 15th, 2017 | 2:32 pm
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Certezas e incertezas de uma gravidez na Austrália

A gestação é um momento especial na vida da mulher, que deve ter as informações necessárias para aproveitar ao máximo essa experiência única de gerar um filho A gravidez na Austrália gera sempre muitas dúvidas entre as brasileiras. Afinal como funciona o sistema público? Será que vou estar bem atendida pelas Midwives? Não terei um médico comigo?

Será que eu e meu bebê estaremos bem assistidos? Será que devo procurar o sistema privado? Juntando a isso as incertezas de um primeiro parto, as dificuldades com a língua e as diferenças culturais, muitas vezes as futuras maēs não aproveitam ao máximo esse momento tão especial.

Para entender o processo é importante olhar o todo. Segundo dados da Associação das Midwives quase 300mil mulheres dão a luz na Austrália anualmente. Deste total, 29% escolhe o sistema particular e é acompanhada por um obstetra. Os outros 71%, quase 215mil, usa o sistema público. As mais de 13 mil midwives ativas na Austrália são responsáveis pela metade de todos os partos feitos no País. Sendo assim, é fácil de concluir que a Austrália prioriza o parto normal, mesmo assim o índice de cesárianas na rede pública é de 29%, o que ainda é considerado alto para a Organização Mundial da Saúde, onde o índice aceitável seria 15%. Na rede privada esse número chega a 41%.

Atendimento na gravidez

Quando uma mulher se descobre grávida o primeiro passo é a consulta com o GP – general practioner- o clínico geral é o profissional que vai fazer o atendimento das primeiras quatorze semanas de gestação. É ele que pedirá os exames inicias: hemograma completo, BHCG ( para confirmar a gravidez), sorologia para doenças como rubéola, hepatite e sífilis e o ultrassom de 10/11 semanas. Com todos esses exames prontos, ele vai fazer o encaminhamento para o sistema público ou indicar algum obstetra particular para acompanhar a gestante. A escolha é da paciente e vai depender do visto no País e das opções pessoais de cada caso.

No sistema público, as grávidas são direcionadas ao hospital da sua região, onde começarão o pré-natal. Todo o atendimento é feito pelas midwives, elas que pesarão a gestante, pedirão exames, auscultarão o bebê, medirão a altura uterina e até mesmo revisarão exames de ultrassom de 20 semanas, sangue e urina. “ A grávida só irá a um médico durante o processo, caso ela apresente algum problema, como: hipertensão, diabetes, depressão ou se for obesa”, diz Ana Letícia Gualda, fisioterapeuta pediátrica que atualmente estuda para se tornar midwife pela UTS- University of Technology. “Nessas consultas também são pesquisadas a necessidade deapoio psicológico ou social, como nos casos de maus tratos e abusos”.

No sistema privado, as grávidas farão consultas periódicas com um obstetra em consultório particular. Com dois partos feitos na Austrália e duas experiência completamente diferentes, Tricia Figueredo, 33, ressalta as diferenças. “ No primeiro filho, com visto de estudante, procurei uma obstetra, que acompanhou toda minha gravidez pelo sistema privado”, conta Tricia. “Todas minhas consultas foram no consultório da minha médica e os exames feitos em laboratórios”, diz Tricia. “Na minha segunda gravidez, todo o pré-natal foi feito pelo sistema público, como tive rebaixamento de placenta, também tive acompanhamento com médico até que o quadro de normalizou, sendo assim, ficou claro para mim que quando tiver um problema, vais ser acompanhada pelo médico na rede pública também”.

O Parto

No dia do parto toda a futura mãe, sistema público ou privado, chega ao hospital e é atendida pelas midwives de plantão, que avaliarão o caso. Normalmente, em decisão prearranjada a grávida escolhe entre o parto na água ou não. As midwives orientam todo o processo até o nascimento do bebê, caso não haja nenhuma complicação. “O médico só é chamado no caso de aplicação de anestesia peridural, uso de fórceps ou vácuo e necessidade de cesariana, mesmo assim tudo é acompanhado pelas midwives”, completa Ana Léticia. Claro que em um percentual pequeno, existe o sistema de cesárea marcada, mesmo assim a primeira avaliação é feita por uma midwife.

“No meu primeiro parto, cheguei no hospital e fui atendidas pelas midwives, com o passar do tempo foi necessário chamar minha médica para utilizar o vacuo para puxar o bebê, como ela não estava no hospital ela demorou para chegar”, conta Tricia. No sistema público, o médico que faz esse atendimento é o medico de plantão do dia. “O meu segundo parto foi totalmente público, meu atendimento foi com as midwives e minhas consultas pré-natais dentro do hospital, sendo assim quando cheguei conhecia bem o local e o pessoal, o que achei favorável”.

“Independente da escolha da gestante, o que acho o maior diferencial de uma gravidez na Australia é o acesso à informação”, complete Ana Letícia. O trabalho das midwives começa com a entrega de um livro na primeira consulta com todos os detalhes do processo: acompanhamento da gestante mês a mês, o parto em si, o atendimento pós-parto. Este livro acompanha uma lista com todos as entidades que auxiliam gestantes e mães. (veja anexo). “E essa informação coloca mais responsabilidade e força nas mãos das gestantes, que sabendo de todos os riscos podem e devem procurar a ajuda necessária quando ficam na dúvida”.

“Na Autrália nenhuma decisão é empurrada para nós, tudo é opcional, a decisão final é da gestante”, comenta Josie Mai, 42 anos, que teve sua primeira filha na Austrália no final do ano passado. Por isso é tão importante utilizar todos os serviços disponíveis, como os cursos oferecidos nos hospitais e informações disponíveis em vários entidades do governo.

Atendimento ao Bebê

Diferentemente do Brasil, onde um pediatra acompanha o parto do bebê e faz a primeira consulta no nascimento, na Austrália esse atendimento é feito também pelas midwives. São elas que dão a nota, o apgar, quando o bebê nasce e elas que avaliam se há necessidade de atendimento do especialista”, diz Ana Letícia. Todas essas informações serão anotadas no livro do bebê, o Blue Book, que terá todo o histórico médico da criança dali para frente, desde vacinas, medicações, etc…

Antes de ser liberado para casa, o bebê fará uma consulta com o pediatra que o encaminhará para o Early Childhood Centre mais próximo, onde o bebê continuará seu atendimento. Assim que o bebê vai para casa, uma midwife ainda visitará essa família quase que diariamente por uma semana, para auxiliar na amamentação e na recuperação da gestante, tirando dúvidas e dando apoio. “Esse serviço é ótimo, pois assim tiramos todas as dúvidas de amamamentação, assim como a nossa própria recuperação”, diz Tricia.

Além disso, as mamães contam com a ajuda da própria comunidade nos playgroups. “O playgroup é criado com as famílias das crianças nascidas na mesma semana no mesmo bairro, são organisadas reuniões semanais e depois mensais”, conta Tricia. “Especialmente para imigrantes esse serviço é muito bom, pois as mães podem trocar experiências, ideias e tirarem dúvidas sobre a maternidade”. Algumas famílias mantêm esse contato por muitos anos.

Afinal quem são as midwives?

Para os brasileiros as parteiras são mulheres experientes dentro da comunidade que fazem partos, mas sem formação profissional. Na Austrália, elas são profissionais formados de curso superior com extenso treinamento e dedicado a todo o processo da gestação desde da informação inicial até a ajuda com o bebê após o nascimento. “Para se tornar uma midwife na Australia é necessário três anos de curso e 50 partos assistidos como treinamento, diz Ana Léticia.

Como diz Tricia, nem todas as midwives são simpáticas e acolhedoras, mas são competentes e conhecem o assunto. Elas recebem longo treinamento e estão familiarizadas com tudo que envolve o bebê, desde o ventre até a amamentação. Entendendo as diferenças e como o sistema funciona as gestantes podem curtir ainda mais esse momento.

Outra profissional que pode auxiliar durante a gravidez é a doula. Esta não tem a formação de midwife, mas têm o conhecimento para o acompanhamento paralelo durante à gravidez. “ Como eu não tinha família aqui na Austrália, resolvi contratar uma doula que serviu para mim como um apoio extra e que me acompanhou no meu parto”, diz Josie. “ É um serviço pago, mas que valou muito a pena para mim e me deu muita mais tranquilidade”. www.sproutbirthservices.com.au

About Ana Paula Baldoino

Ana Paula Baldoino

Ana Paula Baldoino é jornalista formada pela PUC-RS. Em 2010, mudou-se para a Austrália com a família, onde completou um Mestrado de Comunicação e Cultura Digital pela Universidade de Sydney.

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